SOMOS

•Jayme:

Alguém de quem você provavelmente não vai gostar. Nasci como uma pessoa normal e cheguei até minha querida mãe no lombo de uma cegonha. Depois disso também vivi como uma pessoa normal... digo, exceto por... aquele dia... ah, maldição. Por que fui lembrar daquele dia?? Não quero mais falar sobre isso.

•André:

Quieto. Calado. Essas coisas sabe? Falo bem menos do que meu colega acima e creio que essa já seja uma premissa razoável para a compreensão de minha pessoa.



•Explicamos a você...

Sobre o que diabos é este blog: É de senso comum o fato de que a humanidade anda de mal a pior. Guerras, fome, peste, maremotos e a volta dos Backstreet Boys são provas concretas de tal fato. Um nobre amigo, aliás, chegou a sugerir que o homem era o lobo do próprio homem. E não, esse amigo não era a Pitty. Assim, após alguns dias de consideração, enquanto descansava no vaso-sanitário comunitário de meu prédio, também conhecido como "troninho", percebi que num dia próximo enfrentaremos toda a cólera do juizo final e encararemos o inevitável ragnarok de frente, e quando tal dia chegar, todos estaremos condenados. Bem sei que nada podemos fazer para impedir a guerra, a fome, a peste e os maremotos. Digo, até podemos... mas tudo isso daria um bocado de trabalho e levaria muito tempo. E queremos evitar a fadiga. Mas estou certo de que podemos impedir que você compre algum novo cd dos Backstreet Boys, ou qualquer coisa que o valha, por isso Mandamos Você consumir os nossos próprios ícones da cultura pop. Prestem atenção ao que dizemos e suas almas serão salvas... ou não. Mas não custa tentar, não é?

•Mandei clicar...

Dios Mio
N e c r o s i s
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E se comporte, heim!

|Quarta-feira, Abril 23, 2008|



O Vira Cultural

Salve, salve, pontífices leitores! Tudo às pampas?

Venho a informar-lhes (e, claro a mandar-lhes) algo diferente nesta semana. Mas, antes, devo sacanear André, o sujeito que está assistindo seu time ser desclassificado pelo Paraná na Copa do Brasil, enquanto escrevo. André não pôde postar esta semana por sofrer de um grave desconforto estomacal, também conhecido como "piriri", assim, logo e portanto, postarei eu, o segundo escritor mais popular deste blog.

Mas vamos ao que não interessa. Este post, para a infelicidade do culminante leitor de outros estados que compõem o Brasil (como você, inexistente leitora do Acre, ou você, sapiente leitor do Mato Grosso), é direcionado às pessoas que moram em São Paulo e/ou podem se locomover à capital deste petulante estado num curto período de tempo. Isto porque falarei, discorrerei e até espirrarei sobre a 4ª Virada Cultural da Cidade de São Paulo.


imagine aqui uma legenda infame


Explico: a Virada Cultural de São Paulo é um projeto da prefeitura da cidade de São Paulo (por incrível que pareça) nascido em 2005, em que eventos culturais (tais quais shows, peças de teatro, exibição de curtas-metragens e briga de mulheres semi-nuas na lama) tomam a cidade por exatas 24h. Os metrôs permanecem abertos durante todo o evento e tudo, tudo, ou quase tudo, é gratuito. A cerveja, por exemplo, é cara pra danar, mas os shows são gratuitos.

Mas se vocês ainda não entenderam a dimensão do projeto, cá está uma pequena lista de apresentações que ocorrerão apenas no Palco São João:

18h00 - Cesária Évora
21h00 - Gal Costa
00h00 - Zé Ramalho
03h00 - Os Mutantes
06h00 - The Gladiators
09h00 - O Teatro Mágico
12h00 - Marcelo D2
15h00 - Orquestra Imperial
18h00 - Jorge Ben Jor

Há ainda centenas de outros focos de shows e apresentações espalhados pela megalópole. O Pateo do Colégio, por exemplo, apresenta bandas de todo o país (como Bugs, Superguidis, Vanguart e Mundo Livre S/A), com promessas de boa música alternativa; Tom Zé se apresentará na Casa das Rosas, na Avenida Paulista; e o Rock da República (na praça da república) traz Paul Di'Anno, ex-vocalista do Iron Maiden e atual... Ahm... Er... Atual Paul Di'Anno.

Entretanto, se você é simplesmente um sujeito do contra, como André, e pretende fazer seu próprio itinerário pela Virada Cultural, cá está o site oficial do evento e toda sua programação. Basta clicar AQUI.

Assim, mando vocês... Ou melhor, mando alguns de vocês participarem da Virada Cultural de São Paulo, que ocorrerá entre os dias 26 e 27 de abril. Data também conhecida como "neste final de semana". Capisce?

Ps: Sei que não é um estímulo, mas, os malandros leitores que aceitarem minhas dicas poderão encontrar este que vos escreve tietando alguns dos músicos que apresentar-se-ão no Palco São João. Especialmente Jorge Ben. Estarei trajando uma tanga e um par de galochas azuis.

Ps2: Aos seqüestradores que leram este post e planejam transmutar-me num alvo, aviso que minhas únicas posses, no momento, são alguns chicletes velhos, esquecidos no bolso de minha calça durante uma semana e um frasco de remédio contra gripe.



Jayme mandou, não pediu! 11:20 PM



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|Quarta-feira, Abril 16, 2008|



1001 Posts
Para ler antes que eu poste novamente


Olá argutos leitores! Como vão vocês? Felizes?

Este post, devo começar dizendo, não é só um post. Não, por mais que pareça ser apenas um post, não é apenas um post. E antes que eu repita a palavra "post" pela sexta vez, explico: estes escritos valem por 1001 indicações. Ok, talvez não por 1001... Mas, pelo menos, por 873.

Isso porque mandarei, em instantes, vocês comprarem e lerem (exatamente nesta ordem, caso contrário exupulsa-los-ão de qualquer livraria que se preze) "1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer".


Preciso mesmo colocar novamente o título do livro aqui?


Editado por Robert Dimery, um dos fundadores da Rolling Stone (falo da revista, não de, literalmente, uma pedra rolante), "1001 Discos para (este título é longo demais)" é uma lista de fantásticos álbuns selecionados e comentados por cerca de 90 críticos diferentes. Dividido em décadas, "1001 Discos Para (chega de digitar isso tudo)" inicia seu trajeto nos anos 50, de onde desenterra gente como Frank Sinatra (com o ótimo e amargurado álbum "In The Wee Small Hours"), Fats Dominos e Little Richard; passando pelos anos 60, 70 (onde há muita, muita, muita gente legal... tanta gente que morri de preguiça de citar aqui), 80 e 90; ao chegar aos anos 2000, porém, a coisa descamba. Na falta de nomes para compor a lista, Robert Dimery e sua trupe acabam por incluir bandas como The Good, The Bad & The Queen, M.I.A. (aquela gringa que canta funk carioca... lembram?), Justin Timberlake e Norah Jones. Quero dizer, não me levem a mal... Esse pessoal todo é bom (exceto por MIA, que é horrível), mas eu bem gostaria de ter morrido sem tê-los ouvido.

Todavia, a lista é ótima. É brilhante ao mesclar nomes extremamente conhecidos e imprescindíveis a qualquer relação de discos bons, como Tom Waits, Marvin Gaye, Bob Dylan, Lynyrd Skynyrd, Led Zeplin e Pink Floyd, com bandas e artistas nem tão falados assim pela midia, mas igualmente vitais, tais quais The Penguin Cafe Orchestra, Tim Buckley, The The, The Germs e Nick Drake. E vale apontar, também, que toda década (separadas como capítulos, repito) possui uma pequena lista de acontecimentos históricos; relacionando fatos e acontecimentos à arte.

É por essas e outras que Mando vocês comprarem e lerem 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer. Mas o façam antes de morrer... Não se esqueçam.



Jayme mandou, não pediu! 10:34 PM



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|Sexta-feira, Abril 11, 2008|



Então...


Olá entusiasmados leitores! Tudo bão? (fim do parágrafo "olá" + adjetivo + "leitores")

Imagem, os senhores e as senhoras que hoje, dia 10 de abril de 2008 (update: agora que eu estou terminando o texto já é dia 11, o que não importa), além de ser o dia que em 1932 Hitler perdia a eleição para a presidência na Alemanha e em 1826 a Nicarágua sancionou sua Constituição e elegeu o primeiro chefe de Estado, o Manuel de la Cerda, é também o dia em que eu resolvi ir na padaria, onde faço meu lanche da tarde, entre uma aula e outra, e pedi um sonho de doce de leite, e não o tradicional de creme. É algo que me marcou, sabe?

Então, que acharam? Um tanto quanto inútil? Longo? Desconexo? Ou como eu gosto de dizer, uma puta perda de tempo para vossos olhos??? Pois então, é justamente sobre isso que quero falar! Foi-se o tempo em que os blogs (não este, óbvio) eram o antro do comodismo das pessoas, em que elas escreviam coisas totalmente sem noção e toscas! Hoje, meus caros, temos o You Tube.

Eu, um ser extremamente ocupado, reservei alguns minutos do meu escasso tempo livre e pesquisei 5 tosqueiras do You Tube que vocês precisam ver para acabar com a solidão que assola seus pobres corações. E melhor, escolhi os 5 por categorias!


1. Nerd: Falou em tosco no mundo nerd, falou em Star Wars! Imaginem então uma versão tosca do clássico, só que feita toscamente de propósito! Não consegue imaginar? Então veja!



2. FAIL: É o novo hit dos americanos. Um irmão do "owned". Não sabe o que é owned ou fail? Então, veja!



3. Motorista: Tu é o responsável pelo sistema de cameras de seguranças de um estacionamento. Eis que de noite, tu vê uma cena ridícula e patética. Aqui, o tosco é a atitude que o motorista toma em um momento de crucial decisão. Então... veja!



Notem que a criatura vê o carro andando sozinho e mesmo assim se joga na frente dele!!! Animal!!! Hhehehe

4. Midia: Isso que eu chamo um cobertura ampla. Bem ampla, diria até que em 360°!!! Então, senta o dedo nessa porra e veja! (NOTA MENTAL: piadinhas com termos de Tropa de Elite já estão mais usados que cama de puteiro)



5. Criança: Geralmente crianças são toscas. Mas como mesmo os pais já foram crianças algum dia... ah, só veja!




E assim, com essa delicadeza tradicional, encerro meu post Mandando Vocês... ahn... na verdade eu só queria uma desculpa pra postar esses vídeos, então, vejam eles, ok?



André mandou, não pediu! 12:27 AM



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|Quarta-feira, Abril 02, 2008|



Eu Estive Lá

Olá, estrambólico leitor! Como vai você? Feliz?

Desta vez tentarei ser mais sério e apenas um pouco sarcástico. Ou um pouco menos bobo e mais centrado. Mas vou falhar - já aviso de antemão - portanto não crie expectativas.

Bem, minha tentativa de seriedade se inicia ao dizer que Mallu Magalhães é chata pra danar. Juro que começa, quer ver?

Mallu Magalhães é chata pra danar. Mas, espere... você não conhece Mallu Magalhães? Pois nem deveria. Trata-se de uma garota de 15 ou 16 anos que adora andar por aí com uma gaita que nunca é tocada presa ao pescoço, que abriu um show para a - ótima - banda Vanguart e subitamente virou queridinha da MTV e, consequentemente, da Rede Globo de Televisão. Tocando um pseudo-folk bem chinfrim, Mallu está a aparecer em programas de auditório, dando entrevistas eloqüentes (sarcasmo) e distribuindo seus desenhos (já isto é verdade, não sei o porquê d'ela fazer isso) aos entrevistadores.

Mas "por que você está falando desta garota intrépida e faceira?", você me pergunta. É simples... Enquanto nossos canais de informação cultuam uma adolescente que adora imitar cantores folk que conheceu através de biografias bobas - como, desculpe-me Johnny Cash, "Johnny e June" - Todd Haynes, diretor de "Não Estou Lá" (I'm Not There) é brilhante ao nos apresentar uma verdadeira biografia cinematográfica. A de Bob Dylan.

Bob Dylan, para o sujeito que foi criado numa casinha de cachorro durante toda a vida, é um dos maiores - se não o maior - nomes da música (folk). Mas Bob Dylan não seria o Bob Dylan se não deixasse ser quem é, vez ou outra. E é exatamente o que faz Todd Haynes em seu fantástico filme.

Ao escalar Cate Blanchett (sim, uma mulher), Ben Whishaw, Christian Bale, Richard Gere, Marcus Carl Franklin e Heath Ledger para viver as várias faces diferentes de Bob, Todd Haynes - o diretor - se destaca de centenas de outros cineastas de biografias. Entendam, o Dylan de Todd não é uma pessoa só... Não possui identidade, face ou ação fixa. Enquanto o Johnny Cash de James Mangold, interpretado pelo ótimo Joaquim Phoenix, é um sujeito maniqueísta, apaixonado por sua mulher e atormentado pela figura paterna, que nada faz para mudar isto - e nunca muda -, o Dylan de Todd é controverso, contraditório e mutável. Prova disso são as diferentes alcunhas usadas para designar o mesmo Bob, apresentado como Jude Quinn, Arthur Rimbaud, Jack Rollins, Billy the Kid, Woody Guthrie e Robbie Clark - fora os já citados diferentes atores que o interpretam, entre eles uma mulher e um menino negro.


Marcus Carl Franklin: "Eu só quis dizer..."


Diferente daquele Johnny, a figura que Todd Haynes constrói é tudo, menos limitada. Em "Não Estou Lá", vemos um Dylan, ao mesmo tempo, ateu e católico fervoroso; blasé e populista; machista branco e andarilho negro; reacionário e alienado; hipócrita e fiel a suas convicções. O cantor passa por suas fases - elétrica, folk, niilista, religiosa, junkie e beatnik - com diferentes rostos e maneirismos. Sempre mudando, sempre se reinventando. Ao contrário do humanóide Johnny Cash, Bob Dylan, nesta película, é humano.

Tais fatos, aliados à fantástica trilha sonora - dois CDS em que músicos como Eddie Vedder, Jeff Tweedy, Cat Power, a negada do Sonic Youth, entre outros, fazem suas próprias versões das músicas de Bob Dylan -, à maravilhosa atuação de Cate Blanchett - que, por incrível que pareça, é a pessoa que mais se assemelha ao verdadeiro cantor - e à surpreendente presença de Marcus Carl (o talentosíssimo Dylan andarilho), fazem de "Não Estou Lá" um filme necessário a qualquer videoteca que se preze.

Portanto, Mando vocês assistirem a "Não Estou Lá" e, peloamordedeus, deixarem de gostar da tal de Mallu Magalhães e seus ícones rasos da mais que profunda música folk norte-americana.





Jayme mandou, não pediu! 9:41 PM



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